terça-feira, 15 de março de 2011

O Apanhador de Almas

Samanta Oliver by Pawel Grabowski
Há um mito no oriente de que a fotografia seria uma artimanha do demônio para roubar as almas das pessoas.
Creio que seja uma tolice ou uma visão distorcida da arte de revelar literalmente o ser humano. Quando digo literalmente não me refiro a uma bandeja com revelador, papel e quimicos que aos poucos se transformam em imagens. Falo da revelação interior.
A revelação depende da capacidade do fotógrafo que tem paixão pela sua arte para entrar em total sintonia com aquele ser a sua frente. Fazendo deste momento uma fusão de sensações e extravasando emoções ou retraindo excessos de exuberância.
Desde o fotógrafo amador ao profissional, do lambe-lambe ao da câmera digital, entre o olhar e o click, uma química surge no momento. Alguns se apresentam tímidos e outros atiradinhos, mas o desejo de todos é fazer amor. É fazer amor! Fazer amor com a câmera. Se entregar de corpo e alma com caras e bocas e toda paixão. O intermediário do outro lado da câmera, o fotógrafo, é o cupido deste amor. Tudo depende da sua experiência sobre este amor, as palavras e atitudes que ele toma para que esta paixão entre o modelo e a lente se incendeiem.
Me deu vontade de aprender fotografia! Dias atrás estava eu no Mac – Museum de arte contemporânea de Nitéroi, RJ, testemunhando algumas paixões. Haviam vários fotógrafos por lá. Alguns tiravam fotos da paisagem, outros de pessoas. Um em especial chamava atenção. Havia um certo “quê” de produção, um cenário futurista, uma modelo em roupas futuristas e um fotógrafo com visão futurista.
Ele não esta roubando alma de ninguém, não tinha nada que lembrasse o demônio, lembrava mais um anjo. Estava revelando, fazendo florescer, transformando uma jovem em uma modelo. Entre uma conversa e outra arranquei dele alguns segredos que me fizeram desejar viver esta paixão, mesmo de forma amadora e espero que este desejo desperte em todos.
Pawel Grabowski, nascido em 04/12/1985 na Cracóvia, Polônia onde viveu até os 18 anos de idade. Estabeleceu-se em vários lugares no mundo, entre eles: Antuérpia, Dublin, San Francisco e do Rio de Janeiro. Sempre retornando para a sua cidade natal.
Eu – Como a fotografia entrou na sua vida e o que ela significa para você?
Pawel – A fotografia é a minha mais profunda paixão, é minha maneira de mostrar e expressar o meu ego, é o meu amor.
Eu – Qual é a sua maior inspiração para fotografar?
Pawel – Acho inspirações em toda parte: na rua, observando as pessoas, ouvir música, assistir filmes. Passo muito tempo na internet observando os grandes fotografos de moda. Richard Avedon é o meu favorito, mas além dele há muitos fotógrafos que gosto.
Eu – Qual é a maior barreira que existe na profissão de fotógrafo?
Pawel – A maior barreira para fotógrafos de moda é o mercado realtivamente pequeno e muito difícil de entrar. Você precisa ter contatos no ramo para entrar e mostrar-se melhor do que os outros fotógrafos.
Moda é minha paixão principal. Eu amo tudo que envolve a criatividade de cada foto de um fotógrafo de moda. É o tipo de arte mais bonita para mim. Em segundo lugar, eu realmente gosto de fotografia documental, que é mostrar às pessoas seus problemas reais de cada dia.
Eu – Algum evento incomum, já aconteceu em algumas sessão de fotos?
Pawel – Eu não sou realmente certo porque cada sessão é especial e para cada sessão que eu estou tentando preparar tanto quanto possível, a fim de evitar quaisquer problemas que possam surgir.
Descobri que cada sessão é diferente por isso você precisa ser flexível e capaz de encaixar com o seu ambiente
Eu- Você viajou e viveu em muitos lugares.
Qual é o lugar mais inesquecível para você e onde fez suas melhores fotos?
Acho que o Brasil é o lugar onde eu encontrei o maior número de inspirações para o meu trabalho.
O Brasil é o lugar mais bonito que eu já vi, mas eu simpatizo com alguns dos povos que vivem situações diferentes que me deparei até aqui.
Eu – Você escolheu viver no Brasil. Quais são seus projetos para sua nova fase no Rio?
Eu tenho um par de ideias que eu quero fazer para meus projetos particulares. Quanto aos projetos profissionais,no Rio eu estou fazendo “books” de modelos e eu estou trabalhando com uma produtora em vários projetos. Me mudei recentemente para a cidade, estou sempre procurando novas pessoas para trabalhar.
Eu -Agora, dê uma dica para quem pensar em se tornar um fotógrafo.
As coisas mais importantes que você precisa para se tornar um fotógrafo profissional é a paciência e sempre praticar o máximo possível. Há um momento em que você precisará fazer um trabalho por um longo tempo para si mesmo a fim de fazer um nome no mercado.
Quanto a mim, eu ainda estou longe do lugar onde eu quero estar com a minha profissão, mas estou fazendo o que eu amo e que é o que mais me importa na vida.
Fiquei fascinada pela naturalidade das suas respostas em um inglês “aportuguesado”. No fim de tudo só reafirmou-se uma verdade sobre este país. Terra de todos, inspiração para muitos e sonho universal.
Quem não quer viver no Brasil? Até mesmo o demônio, mas com tanta beleza deixaria de roubar almas e viraria fotógrafo profissional para ganhar a vida.
Este talento da fotografia, carioca de coração além da arte de fotografar produz video art. Uma mistura eletrizante de música, fotos e movimentos que nos deixa boquiabertos.
Para não ser egoísta divido o prazer do video 50 Seconds Story e o site em que você pode se fascinar com suas fotos http://www.brownspoon.com/

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