domingo, 27 de março de 2011

Prostituição virou Moda?


Não é de hoje que esta profissão existe.
Ser prostituta talvez seja uma das profissões mais antigas do mundo. Maria Madalena que o diga! Afinal foi a primeira a ser “crucificada” pela língua do povo. Hoje as palavras proliferadas que criaram este mito errôneo em torno de Maria Madalena é repetido diariamente na boca da sociedade. O mito criado pelas doutrinas religiosas de que o desejo sexual é uma abominação e uma artimanha do demônio para que o ser humano caísse em pecado é um dos principais responsáveis pela rotulação das mulheres como prostitutas.

Tais doutrinas sempre imputaram às mulheres utilizar do sexo apenas como forma de reprodução e satisfação para o “macho” dominante.

A bem da verdade todos sabem que prostituição não é uma profissão escolhida apenas pelas mulheres. O número crescente de homens adeptos do tal sistema de vida fácil é cada vez mais crescente.

Uma outra linha sugere que o fascínio e influência que Maria Madalena exercia sobre os discípulos de Jesus, e até mesmo sobre o próprio filho de Deus, é um dos motivos que levaram a difamação de Maria Madalena. A sua influência era tamanha que a simples idéia de uma mulher ter influência religiosa sobre os homens e arrebatar seguidores era a própria visão do inferno para tais doutrinas da época.

Hoje em dia não é muito diferente, com ascensão do mercado artístico, muitas mulheres que exercem tal fascínio sexual exposto pela mídia são vistas como prostitutas. O que acontece é quê, muitas delas perderam a noção do limite entre sensualizar-se e sexualizar-se. A arte da sedução que é uma característica mais feminina do que masculina, distorceu-se da mesma forma que a característica da virilidade é distorcida por alguns homens, confundindo com ausência de cavalheirismo, violência, e um machismo patriarcal. Sempre tentando estes, subjugar as mulheres e colocá-las em um patamar de classe inferior.
Esqueçam! Já foi tempo isto, de inferior não temos nada.

Esta crescente distorção da sensualidade anda causando uma visão distorcida no mundo da moda. Muitas “agências” de modelos criaram casting específicos para oferecer aos clientes mulheres e homens que fazem o “servicinho” de acompanhamento engordando o caixa de tais empresas e que em raríssimos casos não terminam na cama.

Vale lembrar que a palavra profissão define-se como: a especialização de uma pessoa em uma determinada área a qual se qualifica e exerce.

Os chamados “Modelos Ficha Rosa” como são conhecidos, não são modelos. Modelos são aqueles profissionais que se especializam na arte de representar um personagem (meio parecido com ator), em um comercial, propaganda ou apresentação de um produto. Que investe em aperfeiçoamento e formação.
Esta invasão de empresas que se intitulam “agência de modelos”, é uma forma descarada de modernizar a profissão de cafetão e fugir das malhas da justiça e trás uma consequência absurda de manchar o mercado da Moda e da Mídia.

Tendo em vista que a prostituição não é crime e é um trabalho que formalmente não tem direitos legais, a alta remuneração dos Modelos Ficha Rosa tem atraído constantemente homens e mulheres. O que é questionável é que: Prostituição não é crime, mas o lenocínio que consiste em explorar o comercio carnal de terceiros no Brasil é crime de acordo com os Artigos 227 a 230 do Código Penal.

Como diria Charles de Gaulle, e há de se convir que nenhuma grande verdade dita sobre este país é mais verossímil do que esta, “Le Brésil n’est pas um pays sérieux”. (O Brasil não é um país sério.)

A pirataria é proibida, mas em cada esquina das ruas tem um “comerciante” de tais mercadorias.
Drogas são proibidas, mas quem financia o tráfico de drogas e armamento, que é o viciado, não pode ser preso por isto.
Corrupção é crime, mas os corrompidos em sua maioria são absolvidos, e em alguns casos os corruptores penalizados.
Jogos de azar são proibidos, mas existem as loterias.

Então porque deveríamos nos sentir indignados com os cafetões contemporâneos? O que mais nos incomoda? A existência dos cafetões ou a impunidade deles? A quais hoje desfrutam do internet para exercer sua profissão em larga escala?

Como diria a música “cada um no seu quadrado”, vai quem quer!

Na verdade o que nos indigna é imaginar que um dentista poderia estar operando o coração de um ente querido, se passando por um cirurgião. É pensar que o pão que você compra na padaria foi feito pelas mãos do mecânico que se sujou de graxa. É pensar que a picanha que você comprou no açougue é na verdade carne de cachorro.
Então o que mais nos indigna é pensar que se um filho, uma filha, uma sobrinha, sua mãe ou uma amiga dizer que é modelo. Você corre o risco de ouvir quanto custa o programa.

Então é necessário estabelecer uma linha de separação e que se faça entender:
Ficha Rosa não é Modelo.
Prostituição é a troca de favores sexuais, afetivos ou sentimentais por dinheiro ou bens materiais e não configura crime.

Agenciador de Ficha Rosa não é empresário. É cafetão, o que configura crime de lenocínio conforme citei acima.
Para finalizar livre arbítrio é a escolha de poder definir suas ações com responsabilidade. Está na hora de desassociar esta visão de ter alguma coisa a haver com mundo da Moda ou Mundo da Mídia. Modelos profissionais vivem do mercado da moda e da mídia apenas.

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